segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Gafe

Quero mergulhar no frio
Até que de dor
Ele se torne em calor

Quero cavar no vazio
Bebendo o suor
Até o fundo do esplendor

Quero me queimar de luva
No fogo estéril da vida
Futucando cada ferida de amor

Quero cair na minha própria armadilha
Feita de arame farpado
Embebida no veneno do rancor

Quero suforcar no pó de cada livro
Saber da missa o terço
O aperreio do pensamento do amador

Quero sombra na minha vista
A pele arrancada
Até trazer manjar à boca e não sentir sabor

O que eu não quero
É o seu silêncio
Porque não sei sofrer pela metade

Não sei esconder nenhuma gafe

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