domingo, 5 de junho de 2022

Hoje eu acordei de madrugada

De reflexo escrevi um texto

Parece que o cadeado invisível 

Aquele silencioso que arrogou-se à minha escrita

Sumiu


Misterioso padrão

Há anos, não o vejo

Posto a escanteio

O que de novo há (ou antigo) que retorna a mente sonolenta

A culpa, de certo


Cansado de mentir-me só

A ela, agora a elas

Pareço agora merecer menos

Do que naquele espaço de tempo juvenil

De posse de mais vida continuo a possuir nada

E quem nada possui, nada tem a oferecer


Um estranho sonho, e nele só, abandono as duas

As custas de um ano-novo-carnaval me vejo só

A mais pura nem chega a me tocar, a perdi no início, a selvagem sequer chega a me reconhecer

E quem sou eu entre as duas, só um amontoado de incertezas, de certo nunca merecedor de céu ou inferno, ou qualquer estrutura simbólica que os valha


Foi assim que se sentiu Dante?