Hoje eu acordei de madrugada
De reflexo escrevi um texto
Parece que o cadeado invisível
Aquele silencioso que arrogou-se à minha escrita
Sumiu
Misterioso padrão
Há anos, não o vejo
Posto a escanteio
O que de novo há (ou antigo) que retorna a mente sonolenta
A culpa, de certo
Cansado de mentir-me só
A ela, agora a elas
Pareço agora merecer menos
Do que naquele espaço de tempo juvenil
De posse de mais vida continuo a possuir nada
E quem nada possui, nada tem a oferecer
Um estranho sonho, e nele só, abandono as duas
As custas de um ano-novo-carnaval me vejo só
A mais pura nem chega a me tocar, a perdi no início, a selvagem sequer chega a me reconhecer
E quem sou eu entre as duas, só um amontoado de incertezas, de certo nunca merecedor de céu ou inferno, ou qualquer estrutura simbólica que os valha
Foi assim que se sentiu Dante?